sexta-feira, 12 de junho de 2009

Com a marvada pinga

(se você não sabe apreciar o valor poético dessa obra, não tem meu respeito)

É que eu me atrapaio

Eu entro na venda

e já dou meu taio

Pego no copo

e dali nun saio

Ali memo eu bebo
Ali memo eu caio

Só pra carregar é que eu dô trabaio

Oi lá

Venho da cidade

e já venho cantando

Trago um garrafão

que venho chupando

Venho pros caminho,

venho trupicando,

xifrando os barranco,

venho cambetiando

E no lugar que eu caio já fico roncando

Oi lá

O marido me disse,

ele me falo:

"largue de bebê, peço por favô"

Prosa de homem nunca dei valô

Bebo com o sor quente pra esfriar o calô

E bebo de noite é prá fazê suadô

Oi lá

Cada vez que eu caio,

caio deferente

Meaço pá trás

e caio pá frente,

caio devagar,

caio de repente,

vô de corrupio,

vô deretamente

Mas sendo de pinga,

eu caio contente

Oi lá

Pego o garrafão e já balanceio

que é pá mor de vê

se tá mesmo cheio

Não bebo de vez

porque acho feio

No primeiro gorpe

chego inté no meio

No segundo trago

é que eu desvazeio

Oi lá

Eu bebo da pinga porque gosto dela

Eu bebo da branca, bebo da amarela

Bebo nos copo, bebo na tijela

E bebo temperada

com cravo e canela

Seja quarqué tempo,

vai pinga na guela

Oi lá

Ê marvada pinga!

Eu fui numa festa

no Rio Tietê

Eu lá fui chegando

no amanhecê

Já me dero pinga

pra mim bebê

Já me dero pinga pra mim bebê

e tava sem fervê

Eu bebi demais

e fiquei mamada

Eu cai no chão

e fiquei deitada

Ai eu fui prá casa de braço dado

Ai de braço dado,

ai com dois sordado

Ai muito obrigado!

(em breve um gaudério, pros meus gaúchos não ficarem mordidos)

Um comentário:

desembucha criatura